sexta-feira, 11 de junho de 2010

A consulta - II

Hoje, depois de digerida a coisa, encaro-a já de forma mais positiva que negativa. Por isso deixo aqui o que de positivo de lá trouxe naquele dia:

Parece que, sim senhora, o meu organismo já se recuperou dos efeitos da pílula e os ciclos estão regulares e normais. Ainda bem.

Durante a observação que precedeu a recolha para a citologia fui presenteada com o comentário «você está mesmo desejosa» que, numa situação de perna-aberta-sem-sítio-onde-me-esconder me obrigou a representar o melhor que alguma vez consegui o papel de mulher descontraídamente confiante e segura da sua feminilidade enquanto perguntei «ai, isso nota-se, é?». Que estava a meio do ciclo e o colo estava a abrir e que já não era grande novidade, que eu tenho estado atenta aos meus sintomas e já vou conhecendo a minha fertilidade.

Felizmente só foi necessário fazer citologia, que a última já lá ia havia mais de um ano. A dispensa de ecografia e colposcopia (feitas em Outubro passado) representou menos despesa. Melhor.

A doutora trabalha agora com o Hospital Particular de Lisboa, onde tenho a co-participação do seguro para as despesas e opção de parto natural, na água ou fora dela. Vamos ver.

Tive a minha primeira sessão de esclarecimento sobre como se processam normalmente as preparações (sem doula) para os partos que assiste e saí de lá com mais vontade de começar a pensar no assunto a valer.
 

A consulta - I

Andei duas semanas a digeri-la.

Cheguei a escrever um texto com mil e muitas palavras, mas resolvi não publicar (ainda pode vir a ser-me útil). Dos vinte e sete parágrafos deixo aqui o resumo, agora que o desapontamento não faz já qualquer sentido e que um passo mais foi dado na direcção do almejado.

A tão ansiada consulta, a que me fez poupar de bom grado os meus parcos euritos pela promessa que encerrava de me trazer momentos tão reconfortantes, a que tinha tudo para ser um dos melhores momentos da minha pré-gravidez, agora que tudo tem andado tão certinho, tão harmonioso, tão sudável, tão sereno, tão amoroso... foi uma desilusão.

Cheguei a horas, percebi, pelo que vi, que bem poderia ter ido com mais calma, sacudi o nervoso que trazia e pensei: “Deixa-te mas é invadir pelo calor reconfortante que aqui sempre se faz sentir e abandona essa tensão que em nada se justifica num local cheio de boas energias como este é invariavelmente”.

Sentei-me na cadeira mais próxima da pequena mesa onde costumo encontrar a interessante (e pouco comum em salas destas) leitura que me faz companhia na espera. Mas...? Revistas? Então e os livros? Já estava a olhar para o sofá a imaginar quão mais agradável seria relaxar ali sob o sol matinal que entrava pela generosa área envidraçada de onde se pode avistar o verde sempre cuidado que nos cerca quando (nem queria acreditar) lá encontrei um. Serviu.

Momentos depois dirigia-me à sala de consulta, já mais confiante. Estava entusiasmada. Ia (ou assim o esperava) dar um pouquinho mais de mim, conhecer-me um pouco mais, dar mais um passo em frente na conquista dos meus sonhos e no vencer dos meus bloqueios. O nervoso miudinho com que chegara era agora prazeroso e a expectativa era tão alta que tornou a minha decepção maior e mais difícil de encarar.
As marcações são feitas com intervalos de uma hora para que não hajam pressas, para que todos os pontos sejam abordados, para que a calma reine e a verdade impere, para que a mulher se sinta ouvida, apreciada e valorizada enquanto ser espiritual e afectivo e sensível, mais do que apenas uma entidade corpórea definida por termos técnicos e observada com a artificialidade maquinal dos aparelhos de uma qualquer sala de exame.

Mas esta foi, ao contrário das anteriores, uma visita de médico. Foram dez minutos de respostas rápidas a questionário acelerado, outros tantos de citologia (que a ecografia e a colposcopia eram ainda recentes) na sala ao lado e, quando eu pensava que o regresso à secretária me traria algo diferente... Mais conversa de médico. Das breves. Daquelas a correr, porque não há tempo (porque o que havia - e que era meu - se dissipara não se percebera bem como).

Descobri-lhe receios pela primeira vez. Questionou a necessidade do depakine*, dissuadiu-me de contratar uma doula (o que não me surpreendeu completamente), justificou a sua posição e deixou-me a pensar numa série de coisas com que ainda não me tinha visto confrontada. Com isto esqueci-me de lhe pedir prescrição para o ácido fólico que era escusado andar a comprá-lo sem comparticipação. E falhou-me mais uma (desta vez não levava cábula). Dispôs-se a esclarecer mais dúvidas mas a sua expressão e a sua postura pressionavam-me a apressar-me de tal forma que não consegui lembrar-me de muito mais. 

Despediu-se apressada e recomendou-me nova consulta às oito ou nove semanas de gravidez (ainda inexistente).
Paguei, saí desconsolada e sem reacção.
Depois percebi.

Está nas minhas mãos.

Não é ela que me vai dar (de bandeja) o que quero. Pode assistir-me no percurso, mas a luta é minha, as decisões são minhas, o crescimento é meu e a conquista será minha. Não é ela que tem que me dar força. Sou eu que preciso de encontrá-la em mim.

Vivendo e aprendendo.

E crescendo. Sempre.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Semana Mundial Pelo Parto Respeitado


Birth Trauma, Birth Pleasure


16 a 23 de Maio de 2010

Não podia deixar passar em branco.

terça-feira, 18 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Clockwork cycle

28 dias. Ovulação aos 14. Certinho. Estamos prontos!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Há dois meses nisto


Dá trabalho...


Pode parecer aborrecido...


Mas é muito bom sentir-me assim, mais mulher!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

26/Maio/2010


E em Junho tratamos do resto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tic, tac...

Aceitam-se candidaturas


Com o preenchimento do terceiro lugar, aceitam-se candidaturas para 4º, 5º, 6º... (e por aí em diante) a saber resultados.

Nota importante: as vagas para último e penúltimo já estão atribuídas ;)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A minha mãe

                             É uma querida!

Quer ser a primeira (ou segunda, vá) pessoa a receber a notícia da minha gravidez:

- Mas não é quando já tiveres com três meses, estás a ouvir?

- Não, fica descansada que assim que houver sequer suspeita eu aviso logo. Por enquanto ainda não há.

- Como é que sabes?  (sei, pronto)

Acho que está mais ansiosa do que eu!

(já a minha sogra...)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Primeiro ciclo

34 dias   (tudo ok, aparentemente)

domingo, 18 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

A minha sogra

Depois de várias tentativas muito pouco subtis para arrancar de mim «o segredo» achei por bem descansá-la e assegurar-lhe que não há segredo algum... por enquanto (acho eu, que desde que deixei de tomar a pílula já não posso dar garantias).



Resposta imediata:

Ai, segredos desses nem pensar! Era só o que faltava.
Não há maneira de se conformar...


Quando conseguirá perceber que, mais cedo ou mais tarde, trataremos de lhe «encomendar» mais um neto.

Será tão difícil aceitar que é esse o nosso desejo?


Trate de se resignar, sogrinha, trate de se resignar!

domingo, 4 de abril de 2010

Eostre


No primeiro domingo que se sucede a primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera celebra-se a Páscoa.

Nesta data é celebrada a ressurreição de Jesus Cristo, mas também um antiquíssimo festival pagão.

A Páscoa, em inglês "Easter", deve o seu nome à deusa da fertilidade, Eostre (saxónica) ou Ostara (germânica), tendo recebido oficialmente o nome da Deusa após o fim da Idade Média, e que significa "movimento em direcção ao sol nascente", simbolizando da melhor forma, as forças de renascimento e renovação.

Como quase todas as festividades religiosas cristãs, também a Páscoa é enriquecida com inúmeras tradições pagãs, como os ovos de Páscoa e o coelho. Os ovos eram símbolos antigos de fertilidade oferecidos à deusa. O coelho, animal conhecido pelo seu potencial reprodutor, símbolo de renascimento e ressurreição, é o animal sagrado da Deusa Ostara.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Quem não tem que fazer...

Em vez de colheres resolvi ocupar o meu tempinho...
a fazer bebés!

Virtuais.


No primeiro «fazedor» só me saíram meninos...




No segundo a coisa funciona a pedido:
Queres menina? Menino? É Indiferente?
Toma lá, então!



Digamos que as versões «menina» foram ligeiramente... menos desfavorecedoras.





Grande entretém.

sexta-feira, 12 de março de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fertility Awareness Method (ou Método Sintotérmico)


A sua aprendizagem requer tempo e esforço (ando a estudá-lo há dias - muito bem explicadinho no Justisse User's Guidebook, devo dizê-lo - e ainda me falta saber imenso).

A sua utilização exige compromisso, cálculo e auto-controlo (e gráficos e tabelas e calendários e um termómetro e ainda devo estar a esquecer-me de qualquer coisa).


Para que servirá?

Para redescobrir a minha feminilidade e ter melhor percepção da minha fertilidade.

Para conhecer o meu corpo, interpretar os seus sinais e ouvir a sua voz. Para o sentir livre e vivo.

Para aprofundar o contacto com o meu ser e reforçar a minha ligação com a natureza.

Será o período de preparação para uma nova etapa e terá início dentro de escassos dias.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Há já algum tempo

Na minha mesa de cabeceira, aguardando a sua vez... O momento não era oportuno, a disposição faltava-me, o pensamento perdia-se por outros caminhos. Não era a altura certa. Ultimamente tem chamado por mim. Há uns dias pousei-lhe os  olhos e sorri, imaginando-me a folheá-lo. Hoje peguei-lhe, finalmente. Sei que vou gostar e que vai fazer-me bem.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Em noites de lua cheia...


O meu corpo não gosta de hormonas. Cansou-se. Está farto! Já não as aguenta.

E tem dias em que me manifesta o seu desagrado com dores, puxos e moinhas, aqui, ali e acolá, como quem está a querer dizer-me: "vê lá se deixas de tomar essa pílula irritante, que eu já não posso mais com ela".

Prefere fazê-lo em noites de lua cheia... Lá terá as suas razões. E este fim de semana atacou em força, não sei se adivinhando o fim que se avizinha, ou se extravasando finalmente após um longo tempo de contenção.

O ventre dorido, o peito a arder, a cabeça a latejar, as emoções a exaltar, a agressividade a sobrevir...

É, afinal, todo o meu ser que está em revolta, aguardando a chegada de melhores dias que acredita iminentes.