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terça-feira, 13 de julho de 2010

Quem não tem dinheiro...

Não tem vícios.

Nem faz ecografias às oito ou nove semanas.

Vai ao médico de família (que, devo dizer, foi muito simpático e prestável), faz análises e espera.

Espera pelos resultados, espera pela resposta da maternidade, espera pelas 11 semanas para a primeira ecografia... e tem que esperar pelo fim do primeiro trimestre para saber se está tudo a correr bem.

Paciência. Melhores dias virão em que poderei ir a consultas completas com direito a dar uma espreitadela ao bebé, perguntas (e explicações) sem fim e até (em caso de necessidade ou desejo) sessão de «terapia» espiritual.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Hoje é dia de médico

Médico de família, que não há dinheiro para mais.

A consulta que queria (e que estava até marcada já para quinta-feira) terá que ficar para uma próxima... lá para a primeira semana de Agosto, se tudo correr como esperado.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A consulta - I

Andei duas semanas a digeri-la.

Cheguei a escrever um texto com mil e muitas palavras, mas resolvi não publicar (ainda pode vir a ser-me útil). Dos vinte e sete parágrafos deixo aqui o resumo, agora que o desapontamento não faz já qualquer sentido e que um passo mais foi dado na direcção do almejado.

A tão ansiada consulta, a que me fez poupar de bom grado os meus parcos euritos pela promessa que encerrava de me trazer momentos tão reconfortantes, a que tinha tudo para ser um dos melhores momentos da minha pré-gravidez, agora que tudo tem andado tão certinho, tão harmonioso, tão sudável, tão sereno, tão amoroso... foi uma desilusão.

Cheguei a horas, percebi, pelo que vi, que bem poderia ter ido com mais calma, sacudi o nervoso que trazia e pensei: “Deixa-te mas é invadir pelo calor reconfortante que aqui sempre se faz sentir e abandona essa tensão que em nada se justifica num local cheio de boas energias como este é invariavelmente”.

Sentei-me na cadeira mais próxima da pequena mesa onde costumo encontrar a interessante (e pouco comum em salas destas) leitura que me faz companhia na espera. Mas...? Revistas? Então e os livros? Já estava a olhar para o sofá a imaginar quão mais agradável seria relaxar ali sob o sol matinal que entrava pela generosa área envidraçada de onde se pode avistar o verde sempre cuidado que nos cerca quando (nem queria acreditar) lá encontrei um. Serviu.

Momentos depois dirigia-me à sala de consulta, já mais confiante. Estava entusiasmada. Ia (ou assim o esperava) dar um pouquinho mais de mim, conhecer-me um pouco mais, dar mais um passo em frente na conquista dos meus sonhos e no vencer dos meus bloqueios. O nervoso miudinho com que chegara era agora prazeroso e a expectativa era tão alta que tornou a minha decepção maior e mais difícil de encarar.
As marcações são feitas com intervalos de uma hora para que não hajam pressas, para que todos os pontos sejam abordados, para que a calma reine e a verdade impere, para que a mulher se sinta ouvida, apreciada e valorizada enquanto ser espiritual e afectivo e sensível, mais do que apenas uma entidade corpórea definida por termos técnicos e observada com a artificialidade maquinal dos aparelhos de uma qualquer sala de exame.

Mas esta foi, ao contrário das anteriores, uma visita de médico. Foram dez minutos de respostas rápidas a questionário acelerado, outros tantos de citologia (que a ecografia e a colposcopia eram ainda recentes) na sala ao lado e, quando eu pensava que o regresso à secretária me traria algo diferente... Mais conversa de médico. Das breves. Daquelas a correr, porque não há tempo (porque o que havia - e que era meu - se dissipara não se percebera bem como).

Descobri-lhe receios pela primeira vez. Questionou a necessidade do depakine*, dissuadiu-me de contratar uma doula (o que não me surpreendeu completamente), justificou a sua posição e deixou-me a pensar numa série de coisas com que ainda não me tinha visto confrontada. Com isto esqueci-me de lhe pedir prescrição para o ácido fólico que era escusado andar a comprá-lo sem comparticipação. E falhou-me mais uma (desta vez não levava cábula). Dispôs-se a esclarecer mais dúvidas mas a sua expressão e a sua postura pressionavam-me a apressar-me de tal forma que não consegui lembrar-me de muito mais. 

Despediu-se apressada e recomendou-me nova consulta às oito ou nove semanas de gravidez (ainda inexistente).
Paguei, saí desconsolada e sem reacção.
Depois percebi.

Está nas minhas mãos.

Não é ela que me vai dar (de bandeja) o que quero. Pode assistir-me no percurso, mas a luta é minha, as decisões são minhas, o crescimento é meu e a conquista será minha. Não é ela que tem que me dar força. Sou eu que preciso de encontrá-la em mim.

Vivendo e aprendendo.

E crescendo. Sempre.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ah, e o doutor...

Quase conseguiu ser simpático. Quase... Não deve ser coisa que lhe esteja no sangue, pobrezinho!

Foi educado. Só o estritamente necessário, claro. Mas podia ter-se deixado resvalar lá pelos limites da falta de respeito... E desta vez, espantosamente, não o fez. Muito bem, senhor doutor. Mais umas consultinhas como a de hoje e até era capaz de se redimir.

Só que tão depressa não haverá uma próxima. Remeteu-nos para o médico de família. Enquanto a situação não se alterar não vale a pena andarmos a perder o nosso tempinho no hospital. Menos mal.

Em suma, viu-se livre de mais um e ficou tão satisfeito que quase nos tratou bem. Quase...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Rica história!

Introdução:

Estava tudo preparado para que a família pudesse passar duas agradáveis semanas no campo.
Umas férias de Natal em grande, com direito a apanha de musgo, presépio à moda antiga a ocupar metade da sala, pinheiros iluminados, decorações feitas pela criançada espalhadas por todo o lado, muita brincadeira, muito convívio, muito amor...

Dias antes do planeado eis que surge o aviso, inesperado pela antecedência relativa à data prevista, de consulta de hepatologia marcada para dia 21 de Dezembro. "Tudo bem, sempre passamos esta época festiva com mais algumas informações e ficamos despachados disto!" - não há nada como encarar as coisas pelo seu lado positivo.


Desenvolvimento:

Era o terceiro dia de férias. Percorreramos 150 km na chuvosa noite anterior, ele cansado pelo esforço para conseguir descortinar a estrada através do vidro que as gastas, ressequidas e cortadas escovas não limpavam, eu de estômago às voltas a preparar-me para as reviravoltas que as minhas tripas iriam sofrer nos dias seguintes.
De pensamento nos miúdos - que ficaram com os avós - com um sentimento misto de saudade e inveja, lá fomos para o hospital.

Marcação para as 11h30, comparência às 11h00, cumprimos tudo a preceito.

"Mas porque é que têm o ar tão quente aqui dentro? Nem se consegue respirar!" - eu, já de casaco na mão, só queria poder despir-me um bocadinho mais... Ele, ansioso pelas notícias, nem dava pela temperatura.

Conversa na sala de espera para entreter, o tempo a passar e o parquímetro a precisar de mais moeda. "Já não deve faltar muito. Vou lá pôr mais 50 cêntimos e já volto." - até às 12h48 não me pareceu mal, que a coisa até parecia estar a andar depressinha.

O frio da rua soube-me bem. Quem me dera poder ficar mais uns minutos a sentir o ar fresco!
Mas eu precisava de estar presente naquele gabinete quando ele fosse chamado... Haviam coisas que queríamos saber e que só eu teria desembaraço para perguntar.
Subi e o calor pareceu-me ainda mais insuportável que antes. Procurei, em vão, um local mais fresco, e acabei por me acomodar num sofá, quietinha que só visto, na esperança de sair dali o mais depressa possível.

Doentes a entrar e a sair e nós à espera.

"Ainda falta!" - diz-me ele - "Costumam sempre chamar-me antes para me pesar e medir a tensão. Só depois é que entro.".
Ou seja, o melhor mesmo seria perguntar afinal quanto tempo ainda faltava, que a moedinha no parquímetro não tinha chegado, nem de perto, nem de longe.
"Falta um bocadinho." - diz a enfermeira.
"Um bocadinho é quanto? Uma hora?" - não seria nada que nos surpreendesse.
"Não, meia hora." - responde.
Ok! Lá volto eu a sair, a desembolsar mais qualquer coisa, a desejar ficar no frio delicioso da rua e a obrigar-me a respirar o ar quente do hospital novamente.
Como se não bastasse, desta feita o meu lugar estava ocupado!

Mas o «melhor» estava para vir...

Eu cada vez mais agoniada, ele a ler informações sobre fígados, hepatites, cirroses e cancros, os outros doentes a ser atendidos, os médicos a sair para «a reunião»...
Agora que já estavam todos despachados só podíamos ser nós a seguir.

Sentámo-nos mesmo em frente à porta entreaberta do gabinete.
Eu, despudoradamente, ia espreitando cada passo do médico.
E quando o vi a fechar as janelas do ecrã e a desligar o computador ia-me dando uma coisinha má.
E pior foi quando se levantou e começou a vestir o casaco. Acho que entrei em pânico!

O meu homem levantou-se de um salto e perguntou à enfermeira o que se estava a passar.
"Doutror, já vai? E o que é que fazemos ao V.?" - interpela-o ela à saída.
"Então, o que é que fazemos, não fazemos nada. É esperar pelo resultado e marcar consulta." - e virou costas sem sequer nos olhar.
Nem um «desculpem lá», um «tenham paciência» ou um «acontece!». Eu já nem pedia um «boa tarde» e menos ainda esperava um «Feliz Natal», mas... nem sequer de um mísero contacto visual aquele homem foi capaz... Que pessoazinha desagradável.

Desculpem-me os que lhe vêem qualidades no campo pessoal mas, por muito bom cirurgião que o dr Júlio Veloso possa ser, é um ser absolutamente desumano, antipático como nunca conheci ninguém e extremamente mal educado.
E isso faz dele um profissional simplesmente incompetente que me vem desagradando mais e mais a cada contacto que temos.

A manter-se a qualidade do serviço prestado quando em 2010 me estrear por bandas do Curry Cabral acho que vou mesmo dedicar-lhe umas linhas no livro de reclamações.


Conclusão:

Três horas de espera naquele ambiente insuportável sem que tivessem a decência de nos informar que ainda não tinham disponíveis os resultados das análises.

"Tenho estado a tentar contactá-los para saber se estão prontas, mas ninguém me atende." - a enfermeira M. fica sempre com a batata quente.
Pediu-nos desculpa, acompanhou-nos para a anulação da consulta (e respectivo pagamento), disponibilizou-se para contacto nos dias seguintes para esclarecimento da situação e prontificou-se a procurar junto dos médicos a informação que eu tanto queria - afinal quanto tempo devo aguardar para que possa, em segurança, voltar a engravidar?

E saí dali a saber o mesmo, de péssimo humor, indisposta, com menos euros na carteira, menos horas do meu dia para aproveitar e menos paciência para tudo e todos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Primeira «consulta pré-gravidez»

Já foi há mais de um mês, mas entre febres e tosses, trabalho e viagens (para não falar noutros percalços que não vêm a propósito), o tempo para dedicar a reflexões e registos tem sido escasso.

No dia 1 de Outubro lá fui ao (re)encontro da Radmila.

Cheguei com uma hora de atraso. Nem um olhar repreensivo.
Uma tranquilidade reconfortante, uma harmonia contagiante e aquela simpatia que as caracteriza e nos faz sentir em casa.

Tempo de pausa e um momento para descomprimir depois da correria da viagem.
Leitura interessante à disposição: parto natural, parto na água, rebirthing... Informação pouco habitual nas salas de espera comuns. As vulgares (e ultrapassadas) revistas que raramente ensinam algo não existem aqui.

Finalmente, uma médica - mais que isso, uma amiga - sorridente e quase maternal, que irradia feminilidade e alegria, coloca-se à minha inteira disposição.
Foi o nosso segundo encontro.
No primeiro pouco falei. Ela perscrutou-me a alma e adivinhou-me os medos que escondo sob esta minha fachada de «mulher-forte». Eu tremia como varas verdes, e ela, docemente, invadia o forte e mostrava-me a mim mesma.

Desta vez foi uma conversa partilhada o que tivemos. Ambas sabíamos o que me levava lá mais do cedo que o previsto: vontade de engravidar. Muita vontade.

Abri-lhe um pouco mais o meu peito, dei-lhe a conhecer um pouco mais da minha história (da minha infância, da minha mãe, do meu pai, do meu marido, dos meus filhos, dos meus medos, das raivas contidas que vou superando, dos ressentimentos despercebidos que vou conhecendo e deixando de lado, do crescimento emocional que aos poucos vou sentindo) e deixei-a vislumbrar um pouco do meu mundo de sonhos.

Disposta a acompanhar-me na viagem que estou cada vez mais perto de iniciar, deu-me a mão e incitou-me a caminhar. São ainda bastantes os pequenos grandes passos que tenho para dar.
Sinto-me, por vezes, tão pouco preparada para esta jornada. E no entanto aquela mulher não teve dúvidas em afirmar (categoricamente, com todas as letras) que estou "pronta para uma nova gravidez ontem"!
O exame físico reforça o veredicto. Daqui a uns meses digo adeus à pílula, dois ciclos depois faço nova consulta e... preparo-me para entrar na que promete ser a fase mais importante da minha vida.

Quanto aos «pequenos grandes passos» de que falei, partilho-os numa próxima, possivelmente à medida que os for dando.